Thimeras

Thi em suas quimeras, em seu mundo. O mundo de Thimeras

Formação ilusória

Escrito em: 04/06/2012 no trem
Publicado em: 06 de março de 2013
Inspiração: Manipulação de informações


Sabedoria?
Sabem de tudo? Sabem de nada!
Sabem apenas oque querem que saibam
Frutos de informação manipulada
Não sabem nada

Conceitos, teses, afirmações
Verdades mentirosas, mentiras verdadeiras
A informação pela formação
O ser ideal tomando forma

Não importa o que há la fora
Tranque as portas, feche os olhos
Aceite minhas verdades
Compre minhas mentiras
A conexão foi fechada
A cadeia não será quebrada

Sob seus pés, um tapete cobrindo o pó
Quem pode ver? Quantos querem ver?
Em quem reside a coragem, o anseio de encontrar?
O medo implantado impede o ir além
Eles te cegam, refreiam, escravizam, minimizam

Entretenimento, emburrecimento
Desapego de causas nobres
Confusão mental, alucinação
Negação dos próprios direitos
Não há direitos
Não há mais rumo

Empurrados sem leme
sobrevivem em um mar de ondas mortíferas
De um lado para o outro são apenas conduzidos
Nada sabem, nada veem
Indo e vindo, nunca chegam
Nada alcançam
Tudo passa, nada volta





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Novas Cores

Escrito em: 30 de Maio de 2012 às 23:50 durante show dos Los Hermanos no Espaço das Américas
Publicado em: 06 de março de 2013
Inspiração:"Novas cores" habitando minha vida



Novas cores se apoderam
É um verde caramelo, amarelo
Etéreo, eterno, só oque espero
Ao brilho ardente, o turvo se curvou
Eis que a curva, a ti me curvo

Caminho em abraços
Nos teus braços, no meu berço
Em ti embarco, me entorpeço
Aqui peço uma peça
Sei que posso, sinto o pulso
Pulo, sigo, vou em frente
já não volto



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Cercada do só

Escrito em: 06 de Dezembro de 2010
Publicado em: 29 de Outubro de 2011
Inspiração: Uma situação em que observei certa pessoa depressiva diante de seus milhares de contatos em redes sociais e messengers, porém sem uma única pessoa real para apenas conversar


Solidão em meio a tantos amigos
Perfis lotados
Contatos que não podem ser contados
Ninguém pra conversar

Tanta gente à sua frente
Todos tão distantes
Um dia chuvoso

Tanto disponível
e nada nem ninguém à disposição
Domingo de depressão

São só números
que se somam e te subtraem
Unidades mal somadas
reduzindo-te ao só

Só o que queres é conversar
caminhar, encontrar, sorrir
não mais chorar
Mas em meio às faces não há rostos
virtuoso virtual
tortuoso sem sinal
offline




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Convite

Por: Thiago Cardoso
Escrito em: 15 de Abril de 2011
Publicado em: 13 de Outubro de 2011
Inspirações: Reflexões sobre um texto do rota psicodélica / Um convite que eu nunca fiz




As vezes é preciso cruzar a linha
quebrar algumas regras
Só preciso saber se você está pronta
Eu estou e já comecei
minhas linhas são variáveis
hora aqui, hora ali
as regras? que regras?
já quebrei muitas
e tantas outras ainda quebrarei
e então, você vem?

Paradigmas, regras, tabus, conceitos
o que tem atrás do muro?
não custa olhar
coisas que fiz e falei
ainda farei, já nem sei
Não há razão de ser linear

Já não sou quem eu era
pois eu não era
Hoje sou o que sou
seguindo minha trilha, mudando meus rumos
quebrando algumas regras
Irei sempre além
só preciso saber se você vem





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"Convite" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Casa vazia

Por: Thiago Cardoso
Escrito em: 31 de Julho de 2011
Publicado em: 31 de Julho de 2011
Inspirações: O silêncio e a casa vazia


Palavras vinham e iam sem compromisso algum
Rabiscos aqui, frases acolá
Uma folha de caderno, um papelão
fragmentos na mente, minha mão

Engavetados, arquivados, salvos
Distantes pensamentos, inaudiveis sons
Inaudíveis eu disse?
Sons?
Melodia, harmonia, silêncio
casa vazia

É isso e somente isso o que ouço
Domingo de tarde, casa vazia
É a melodia inaudível do silêncio
Ecoa harmoniosamente em meus ouvidos
Momento propício
Eis que me surgem todas elas:
Inspirações, aspirações, conspirações
pirações
Ouça
Silêncio




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"Casa vazia" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

A culpa é dos outros (Não sabem viver)

Por: Thiago Cardoso
Escrito em: 24 de Março de 2011
Publicado em: 03 de Maio de 2011
Inspiração: Reflexões sobre recentes análises acerca do comportamento de pessoas que culpam outros por serem infelizes.


As loucuras do mundo nos oprimem
Nos tiram dos trilhos
Assombram nossas vidas
Afundam raízes

Felicidade agora é meta
deixou de ser estado
Felicidade é terceirizada
A responsabilidade é repassada


Pessoas são felizes ou infelizes
por culpa de alguém
um outro alguém, um certo outrem

Casam-se para serem feitas felizes
Seus cônjuges hão de fazê-las felizes
Divorciam-se para serem felizes
Seus cônjuges é que falharam
Mas amigos não falharão

Repassam ao mundo a responsabilidade
Isentando-se por completo
Exigem que façam-nas felizes
porque merecem, ou pensam que merecem

Acham-se merecedores de aplausos
Necessitam de aplausos
Acham-se merecedores de flores
Flores por um sorriso
Pessoas pretensiosas, egoístas que são


Elogios e confissões de que são as melhores
É isso que as move
Elas em si não se movem
O mundo se move
E se não mover, comover
Não há de ser

Hipócritas e imundos se tornaram
Usam pessoas e amam coisas
Deixam de ser, almejam o ter
Só importa parecer e aparecer
Portam-se como sendo o que não são
"Sabem" de tudo, mas não sabem de nada
Não sabem da vida
Não sabem viver





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"A culpa é dos outros (Não sabem viver)" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Eis meu ser

Por: Thiago Cardoso (07-02-2011)


Aprendi ao ver Herry Heller permitir-se enxergar
Tudo é muito mais que isso e aquilo
bem como muito menos que isso e aquilo também
A realidade vai além, muito além
Fica, porém, ao mesmo tempo, aquém

Há um mar de aventuras me chamando
insistindo o meu ingresso, minha prova
Tantos sabores à minha mão
Abrir mão da mesmice e dissabores então

Não me isento de minhas responsabilidades
Cada ato, cada passo, um novo andar em consciência
Consequências são implícitas, não há como se livrar
Caminhando, correndo, parado, tanto faz
Ação ou na inércia, é indiferente
há sempre consequência
O ar que respiro me traz um evento consequente

Hermínia estava certa em seus argumentos
É tudo muito simples, complexamente simples
Demasiadamente simples para a compreensão,
se o intento há de vir sob olhares complexos

A música toca. Você se move ou fica imóvel
O tempo por sua vez, continua a caminhar
Cauteloso ou afoito, ações presentes ou ausentes
nada disso muda o fato
De fato, a corrente nunca cessa
Olhar ou agir, atuar ou assistir
O tempo passa mesmo e não tem volta

No mais, digo que só quero mais
Sem barreiras, nem fronteiras
Me atiro pelo simples fato de ser, buscar e estar
Eis meu ser!




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"Eis meu ser" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Muda pra ver tudo mudar

Por: Thiago Cardoso


Nada muda se você não muda
Não seja a pessoa muda
Muda a postura, inicie a ação

Saia da velha postura
Postura velha, hora tão estática
Elimine, ilumine, levante-se
Movimente-se, alimente-se

Fortaleça seus anseios
Lute por suas causas
Aja em prol do todo
Deixe de ser o sujeito tolo

Por todos e pra todos
Todos os dias, todas as horas
Sem demoras
Aos senhores e às senhoras

Vamos, acorda
Não amanhã, mas hoje
Já, agora, sem demora
Desligue a TV, deixe de assistir
Passe a agir, interagir

Seja ativo, protagonista, roteirista
Escreva os capítulos
Invente e inverta a história
Crie para si, pra mim
Crie para o outro, crie para nós
Não estamos sós
Muda pra tudo mudar



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"Muda pra ver tudo mudar" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Em suma

Por: Thiago Cardoso
*São partes de um quebra cabeça escondido em minha mente


Grande dúvida e planos insanos brotam neste momento
Às vezes gostaria de não ter chegado a me conhecer

Novamente a questão em minha frente
O que é abstrato e o que é real?
O abstrato é o que é em sua realidade
ou será o real o que há de mais abstrato?

Pensamentos e planos em certos contextos
fazem meus eus se digladiarem
me apoiando, me odiando ou mesmo deserdando

Novo pensamento: ruptura
Talvez melhor seria romper comigo mesmo
ou se não comigo, com alguns dos meus eus
habitantes em algum dos meus mundos

Pensamentos e planos virais tomam conta
causando reação imediata no sistema
o sistema imunológico das minhas identidades

Nada de mais. Prefiro acreditar nisso
Apenas um corpo estranho fazendo nova morada
Um elemento viral fez a intrusão
mas não pode ser mal
apenas um corpo estranho fazendo nova morada

Passageiro ou não... sentarei pra assistir
enquanto entro em ação contra mim e por mim
longe de mim e sempre ao meu lado
E assim se resume
apenas um corpo estranho fazendo nova morada
silêncio...
...e mais nada



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"Em suma" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Invenção da vida

Por: Thiago Cardoso


Vida passageira, nos espanta a cada dia
cada dia é mais curta,cada hora menos dia
cada dia menos tempo, cada dia mais tempo
Menos tempo pra viver e mais tempo dando vida
Há na vida doação do que já não é mais vida


O vender de nosso tempo,
aquele tempo que não temos
aquele tempo que passou
torna amargo o sabor da mera vida
que já não pode ser vivida

Alto la!
a vida é minha, a vida é sua, é nossa.
A vida pode ser inventada, ela é inventada.
Fui inventado por alguém
Se não por mim, foi por outrém
e você? você também
Quem te inventou, quem me inventou?
Já não importa

Vou abrir minha porta e reinvantar!
me levantar e inverter
Inventar a minha vida e reviver
minha invenção, infecção
vírus que se espalha e ataca
prossegue infectando
e a todos atacando
infecção de alegria

Sem pudor vou inventar, vou viver e contagiar

"Invenção da vida" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Herói brasleiro

Por: Thiago Cardoso
*Inspirado naquilo que vejo todos os dias. Aqueles a quem nossos governos fecham os olhos e as portas


Meu herói não tem poderes
Nunca foi forte
Tampouco encanta a alguém
Voar? Mal consegue andar

Sua força vem da garra
sua labuta é diária
sobre os ombros leva o mundo
um mundo de sujeira
um mundo que o exclui
seu estado fica à margem da cidade

um sujeito mal cuidado
maltrapilho, deformado
formado pelo estado
que estado!

seu sustento vem da dor
vem da lágrima, do suor
seu labor não representa quase nada
recebe 5 centos e não pode dizer nada

Dia e noite, a vida é luta
não se retira da labuta
tão sofrida é sua vida
espancada, excluída, abandonada
e ainda assim...
este herói, encontra tempo pra sorrir




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"Herói brasileiro" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Essência vital

 por: Thiago Cardoso

O núcleo, a base,o tronco de onde partem
todas as ramificações do meu viver,
a essência.
Meu rastro infinito
que rabisca no tempo e na terra,
aquilo que eu sou.

O mundo em constante mudança,
tenta engavetá-la, enfraquece-la e até comprá-la.
E quantos não vendem a sua essência,
fazendo do seu núcleo atômico
o dinheiro, a fama, o poder...?
Falo como alguém que já teve sua essência enfraquecida,
alguém que já permitiu que outros guiassem sua vida
e lhe ditassem o que deveria ser "essência".

Mas um dia, engavetada, trancafiada, porém ainda poderosa,
minha essência, a real essência,
gritou aos sete mares.

Explodiu com um vigor nunca antes alcançado.
Nunca mais deixei de ser eu
Nunca mais deixei de correr pelos MEUS caminhos.
Nunca mais deixei minha essência
Minha REAL essência

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"Essência vital" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Múltiplos

Por: Thiago Cardoso

Não compartilho dessa idéia
Não me convence essa crença
Apenas um?
Como assim?

Ora, não me venha com essa!

Apenas uma cor
somente um sabor
uma única profissão
Uma única emoção
Um único amor

A vida me mostra vários caminhos
inúmeros prazeres
infinitos afazeres
incontáveis possibilidades

Gosto de todos!

Quero todas as cores
Vou provar de todos os sabores
encontrar meus amores
Hoje caminho por aqui
amanhã sento-me a colá

Hoje eu quero o azul
amanhã me agrada o vermelho
Mas outrora o favorito
era o roxo em meu peito

Tudo quanto posso,
Todos onde passo
Tudo o que eu faço
Todos os que busco

Busco múltiplos caminhos
Multiplico minhas metas
minhas dúvidas, dívidas
dádivas, devaneios

Sem limites multiplico
o viver de cada dia
a cada dia, alegria


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"Múltiplos" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Voz de mel

Por: Thiago Cardoso

Doce som da voz dita tão longe
se irrompe em meio ao silêncio vazio
elimina a escuridão, traz a mim  meu quinhão
junto à luz que emana da presença perfeita

A proximidade contradiz a distância
os conceitos são quebrados
e o longe se reduz ao pé do ouvido
a centímetros sussurrados em mel

O completo exílio de outrora, vai-se embora
Deixa seu habitat, entrega-se à luz
dando vez ao conjunto perfeito das peças
que se encontram, se harmonizam, se encantam

Linha tênue se encarrega
mostra o caminho
Os carrega com ternura
Entre etéreos tons do céu
há o som que vem de mel




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"Voz de mel" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Influências

Por: Thiago Cardoso

Senti um aroma e a brisa no rosto
Inspiração?
Inspirei e caminhei
Que caminho irei tomar?

Tomei uma rota psicodélica
rumo a um canto qualquer
numa busca por respostas,
às perguntas que eram só minhas

A esta altura, minha loucura
viajava em meus próprios devaneios
devaneios tão singelos
em nada tão perfeitos
quanto os graciosos pricillianos

Deparei-me então
com um certo apanhador de letras
dedilhando suas notas, expirando melodias
este, indicou-me com uma bela canção
o caminho para chegar
ao meu teatro de todo dia
Já era hora, já era dia

Minhas quimeras, minhas thimeras
meus anseios, meu caminho
caminho contra o vento
ouço o som e deixo me levar
levo junto em meu peito,
as belezas que encontro
em cada olhar
olho em volta e vejo amigos
trazendo-me a paz

Longe ou perto, não importa
complementos que me ensinam
a arte do viver,
os passos do caminhar
e a beleza de amar




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"Influências" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Impossível

Por: Thiago Cardoso

Quando me veio o impossível,
tratei de impossibilitar tudo mais
que parecesse possível

Talvez um dia, eu reabilite
as possibilidades outrora ignoradas
Talvez as ignore a cada dia,
enquanto houver dia

Pois, afinal...
tudo é possível,
assim como o impossível

Impossível é saber
mas possível é sonhar
sonho o impossível,
mas não tenho o que é possível
Eu almejo o impossível

A cada manhã, uma nova oportunidade
Tornar a ver, rever, admirar
tudo o que é mais belo,
mais lindo, mais puro
Um olhar no espelho revela
aquilo que é infinitamente...

impossível







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"Impossível" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Viagem abstrata

Por: Thiago Cardoso

O verde se confunde nos rabiscos transparentes
Formas abstratas, codificações, inspirações
mensagens de alguém que tem no abstrato,
a expressão que o faz real

Real? O que é real?
Quem é real?
Você é real?
Eu sou real?

Somos tão abstratos
quanto os rabiscos que aqui vejo
Cada ser em minha frente
se comporta em sua arte

Tal qual obra de um artista
que esconde no pincel,
seus intentos, suas fúrias,
seus amores, seus sabores

Seu concreto se mistura
se confunde e se perde
no abstrato que nos mostra

Entre listras, vejo dúvidas
curiosidade?
preocupação, talvez
Há um bloqueio circular
que escondem certos traços

O amarelo é inquieto; distante
Mexe-se involuntariamente
em busca de um conforto

Grandes círculos movem-se
apontam o horizonte, apontam minha face
Vai ao longe e se aproxima
Num segundo, lá e n'outro, cá

Um branco mais sutil
sobrepõe o velho verde
encobre os blocos cinzas
toma frente e se exibe

Descompromissado,
apenas pinta suaves linhas
não há objetivos
nem contornos aparentes

O fundo então, já é marrom
na intensidade e com tamanha velocidade
fica escuro, até que some junto ao som

Ainda restam umas cores e uns rabiscos
os traços mais diversos
verdadeiras obras, a mim desconhecidas

Obras abstratas que se perdem no concreto
O concreto que não há
pois se perde no que vejo
pois se perde no abstrato



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"Viagem abstrata" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Rosa dos ventos

Por: Thiago Cardoso

No deserto entre as dunas
ouço o vento e nada mais
O vazio me sorri
Somos nós, o vento e ninguém mais

O vento para!

Procuro em cada canto
e o vazio em toda parte
Nem a rosa que é dos ventos
é capaz de me ajudar

Ouço apenas nas memórias
assovios, belos cantos
anunciados pelo vento,
em seus encantos

O vazio a mim volta
me informa que o vento
pelos mares foi cantar
Entre as ondas mergulhou
no azul foi se atirar

Vai ao Norte, sopra ao Sul
Corre Lestes e oestes
faz seu canto encantar
Sob os céus e sobre as águas
leva ao mundo seu soprar

E se um dia se lembrar
ainda tenho aqui comigo
uma rosa que é dos ventos
e guardei pra te entregar


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"Rosa dos ventos" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Sempre em frente

Por: Thiago Cardoso

Torne-se as impossibilidades possíveis a nós
Que se mensure o imensurável
Tangibilize-se o intangível

Numa frente conjunta,
busquemos nós
os anseios, as virtudes
construindo atitudes
de mãos dadas, nunca sós


Ouçamos a voz,
o clamor emergente,
surgindo do peito

Peita velhas barreiras
constrói novas pontes
produz suas fontes
e amplia teus horizontes

Diversidades se completem
individualidades se unam em uníssono
provoca o canto da harmonia

As cores do arco-íris
sejam todas respeitadas
Preservadas, inseridas
e também apreciadas
segundo sua beleza

Belas artes se apresentem
no presente e sempre em frente
Tome frente e enfrente
faz da vida teu presente


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"Sempre em frente" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Barreira "segura"

Por: Thiago Cardoso

Não tenha medo de abrir as asas
Segure minhas mãos e venha, voe
Conheço teu receio do mundo
Sei que a distância é uma forma de manter-se segura

Mas apenas entenda
que a barreira "segura"
não só a distancia daquilo que é ruim
mas também a priva de ver o que há de bom

Deixa eu te mostrar
Não há razão para se preocupar
Segura minhas mãos, feche os olhos
Apenas confie em mim e te mostrarei


Permita-me contigo voar

Veja o mundo não é tão ruim assim
Permita-se ir mais além
Transponha a barreira e conheça a vida enfim

Ao teu lado estarei
não tema em momento algum
vamos pra longe,
vamos correr
caminhar, cantar
rir sem compromisso

Deixemos o tempo passar
Encontre o que há de bom para ver
A vida tem que valer
Só precisamos começar

Eu só quero te mostrar
Não há o que temer
Deixe de lado a barreira
e veja o lado bom do viver

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"Barreira "segura"" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Sem Inspiração - Parte II (Ela voltou)

Por: Thiago Cardoso

Me pergunto se aos poetas
suas ações são similares
uns dias tão presente
outras vezes tão distante

Um vazio em minha mente
foi o que vi ao procurar
Quanto mais eu me esforçava
a palavra me faltava

A caneta rabiscava
linhas tortas letras únicas
Palavras se soltavam
e não mais se encontravam
O vazio as isolava

Numa noite, entretanto
percebi tua presença
O calor do teu encanto,
anulou minha sentença

As palavras se juntaram
vem a crase, surge a frase
outra vez a oração
preenchando meu vazio,
retornou-me a inspiração.


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"Sem Inspiração - Parte II (Ela voltou)" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Cheiro do Outono, aromas de Maio

Por: Thiago Cardoso


Num Outono qualquer
um Domingo cinzento
o banco da praça
é o refúgio perfeito

Na rua deserta
ouço o som de alguns carros
e de passos que vão e vem
entre longas pausas
tomadas pelo vento

Vozes passam sobre mim
Se achegam junto ao sopro
da brisa vespertina
em um Domingo de Outono

Outro ano, outro Maio
Novo outono, velhos cheiros
Conhecidos aromas
agradáveis perfumes
Tudo de volta à minha volta

Na inspiração profunda
os pulmões enchem-se dos ares
e a mente das lembranças,
sempre unidas aos aromas

Cada época do ano,
um cheiro peculiar
Cada cheiro, remetendo-me
a um tempo, uma época específica

Tempo que se foi, se completou
e neste Outono regressou
fazendo-me lembrar

Lembro-me dos dias
Lembro-me das horas
Pessoas, lugares
Senhores, senhoras

Tudo aquilo que passou
em algum cheiro regressou
Assim é todo ano
recobro minhas lembranças
com o cheiro do Outono

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Sem inspiração (Por onde começar?)

Por: Thiago Cardoso


Escrever novas palavras
reescrever velhas frases
formatar tantas idéias
que nem faço idéia por onde começar.

Se começo não termino.
Quando acho q termino, está incompleto
Onde e como se começa?
Quando é que se termina?
Quem é que determina?

Donde parte o travessão?
Onde finda a oração?
Ai minha inquietação!

Ponho vírgula onde era ponto
e prossigo no argumento.
Cada volta um recomeço.
Um começo q não volta.

Olho à minha volta
Será que você volta?

Escrever, apagar
reescrever, desenhar
rabiscar e tornar a apagar

Se tu foges da minha mente
em mim não há mais semente
e a palavra simplesmente
não pode mais brotar

Tudo escrito é em vão
das palavras, foge a união
tu soltastes minha mão
e agora como escrever...
sem inspiração?


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"Sem inspiração (Por onde começar?)" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Quanto tempo

Por: Thiago Cardoso


Aaahh! O tempo!
O que seria de nós sem ele?
Bom,seria como somos
Pois já não o temos, não é?
É... vivemos correndo atrás do tempo
e o tempo correndo de nós
a todo tempo

Tento trazer o tempo em minhas mãos,
mas, sutil e sorrateiramente, faz me refém
ri de mim enquanto corro para alcança-lo

Vida engraçada!
Nossos desejos contrários
nos confundem cenários
Nos enfiam e nos libertam de armários

Ontem era lamento, era sobra do tempo
Também era falta. Nos carecia o fazer
hoje é excesso no fazer...
é falta do que havemos de ter

o tempo


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Liberdade

Por: Thiago Cardoso
*Texto em homenagem à luta independente da trupe d'O Teatro Mágico 


Faço meu caminho
e seleciono os meus passos
Só passo onde quero
e só o que quero tem espaço

Busco um modo de viver
sem ter que me vender
vejo o claro neste mar
em que escuro passou a dominar

Sou o efeito sobre a causa
a anomalia do sistema
o agente persistente
que penetra neste mal
e o faz cair por terra

Nos caminhos que trilhei
nunca, jamais me entreguei
Não paguei, não subornei
e nunca pagarei

Conquisto cada espaço
Sigo em luta e transparência, a cada passo

Ecoando minhas notas
vou seguindo onde quero
Hora aqui, hora ali
Sigo sempre à minha forma

Não me curvo a predadores
Não me entrego à hipocrisia
Sou e sempre serei
Livre como a poesia



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"Liberdade" de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

"Huma" hora

Por: Thiago Cardoso


O dia e a hora nos passam sem demora.
Sento aqui e o daqui a pouco já é agora,
ou pior... já foi outrora.
Eu apenas digo, Droga! Tenho que ir agora.

Vou-me  embora, quando o que eu mais queria,
era estar contigo só mais uma hora
Ficar aqui sentado mesmo sem ter algo a dizer
apenas contemplando o seu ser

Ainda que sem poder te enxergar
tão somente sentindo o seu estar
concentrando-me em decifrar o poder do teu olhar
a chama que o faz brilhar
aquecendo minha alma
remetendo-me à calma

Uma hora a mais e nada mais
No silêncio observar
com ouvidos e olhos atentos
inqueitos, esperançosos
aguardando seus afetos
duas palavras, belos gestos

"huma" hora e nada mais

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"Huma" hora de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Há vida! Que vida!

Por: Thiago Cardoso


Há vida que me apressa, nem sempre é poesia
Há desde outrora, muita prosa
muita coisa ainda presa

Desprende logo e despeja! - digo

lance forte a coragem
elimina tuas represas
arremesse suas palavras
feito chaves das comportas
Como te comportas?

vive e fala o que a ti importa
a poesia nunca será morta
isso muito me conforta

apronta o ponto, deixa o sinal
afoga o pranto e escreve
transcreve!
a palavra, o verso, o verbo
horas são
também de prosa e de canção
prova o mel que ao fim do dia
subjuga o fel que te anemia

Troca a prosa em cada verso
faz seu dia poesia
vida prosa, vida presa
seja firme na tua luta
luta a vida com destreza

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Há vida! Que vida! de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Carinho

por: Thiago Cardoso 


Idas, vindas e vidas;
Dias, noites, melodias,
assim são nossos dias

Fecho os olhos num instante
E ao abri-los novamente
Tudo mudou de repente
O minuto que passou, já é ontem
A hora percorrida é semana passada
Meu ontem foi-se há um mês
E o último Domingo já nem lembro mais

Aperto o passo na vida
e o preço, é o tempo que passa
Peço um segundo e tento o que posso
Mas não posso mudar o compasso.
Tudo passa

Contudo, se nem tudo fica...
O que fica eu abraço
Abraço e me desfaço
Me refaço e me esforço

Reter a essência
Manter o que importa
Não deixar partir pela porta
O carinho essencial
Sentimento atemporal

Alojado em meu ninho
Se me foge o tempo
Fica ao menos o carinho
O nobre e intransponível carinho




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Carinho de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Numa noite qualquer

Por: Thiago Cardoso


Pelas ruas caminhando
pensamento vai distante
sem ter o que pensar
nem rumo certo ao caminhar
deixo apenas me levar

Entre ruas, avenidas
vielas casas e esquinas
olho fixo aos detalhes
transbordo a mente de imagens

Lembranças, passeios,
passados, anseios, paisagens

Um passo de cada vez
vou sem pressa caminhando
Mãos nos bolsos, olhos vagos
sinto o vento em meu rosto
e o tempo em seu compasso
me tocar sem compromisso

Num suspiro paro ao alto
vejo um norte, olho a Lua
tenho em mim o seu olhar

Sento então sobre uma pedra,
desviando meu sonhar
penso em que eu pensaria
se tivesse em que pensar

Deixo-me levar
prefiro apenas não pensar

Quero tão somente respirar,
o horizonte contemplar.
sem compromisso algum,
deixar o tempo passar


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Numa noite qualquer de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Bailarina

Por: Thiago Cardoso
*Dedicado à Dai, minha maninha que escolhi. Pessoa especial e essencial

Bailarina, boneca, dançarina
A quem o céu se abre e ilumina
me encanta tua fala
me anima tua força
delicada e formosa,
és de força infindável
e presença inigualável

O sorriso de menina
oculta os traços de mulher
Traz a paz e a alegria
radiantes nos teus olhos
olho e fico absorto,
observo tuas virtudes

Num olhar que a nós sorri,
vejo o rio de águas límpidas
que transborda em suavidade,
corre a vida com vontade

Menina dos meus olhos
dança a vida com vigor
abre os braços e nos leva,
destes dias sem sabor

És a bela bailarina,
a boneca, a mulher e a menina
que no encanto singular
melhor nos faz viver,
melhor nos traz o ar



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Bailarina de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Roxo (Cor que a faca finca sem pudor)

Por: Thiago Cardoso 


Pensamento listrado, sorriso distante.
Pensamento na cor que a faca finca sem pudor
Vejo listras, listo cores
que me consomem, que me queimam as entranhas

Estranhas são as sensações, que me tomam num piscar,
quando as listras se encontram no foco do meu olhar.
Olho atento e tento encontrar,
alguma razão pela qual sou incapaz lutar.

Duas cores entre listras, é o que vejo em minha frente
O roxo em dois tons me atordoam e me cegam
Entorpecem e arrancam, a razão e a perspicácia
Minhas perguntas sem respostas,
ressurgem e atormentam,
enquanto o roxo em movimento,
se mistura com as idéias que me surgem involuntárias;
loucuras inconseqüências, tolices solitárias.

Em minha mente as sinapses
tomam cores e se tornam
listras roxas que se alastram,
destruindo pensamentos.

Em minha frente se aproxima e se enrola numa faca,
o tecido que eu fitava, entre listras, entre luzes.
Entra a faca, num só golpe, a cor finca sem pudor.
Corro o máximo que posso, para aliviar a dor.
Dor que queima minha face, dilacera minha alma,
consumindo minhas virtudes, confundindo atitudes.

Paro então e observo.
A mão que ataca e finca a faca,
se aproxima e agora afaga.
Um olhar e um sorriso, tomam forma e formam corpo
entre as listras e o vermelho, que a faca fez brotar.

Brotam flores no jardim em que passo a caminhar.
O roxo vivo e seus tons, semi-tons,junto aos sons,
me sorriem e balançam, o balaio em que me encontro,
absorto em tal encanto.

Me acomodo no balaio e atentamente ouço o canto.
Me apego à mão que afaga, fecho os olhos e me embalo,
no balanço que carrega o alívio e a chama,
que afaga e afoga, que me leva ao jardim
onde à noite listras lindas, se envolvem num motím.

Eu de volta entorpecido, pelas cores de um tecido
que se finca no meu peito, com a faca e sem pudor.


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Roxo (Cor que a faca finca sem pudor) de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

O Sonho

Por: Thiago Cardoso


Avistei a linda flor,
quando no acaso, a mim sorriu.
Dançavam ao vento,
suas pétalas macias;
um convite ao meu intento.

Noite e dia a avistava,
dia e noite a desejava.
Era em noites que eu pensava,
como ter com a linda flor,
a flor que eu tanto almejava.

De repente num instante,
me esqueço do restante,
resta um rosto, rumo certo
ao mundo meu.

Me atiro na cruzada,
rumo ao campo das belezas,
onde a flor que mim sorri,
pudesse por meus braços,
enfim ser alcançada.

Seu etéreo perfume
afaga minha fé,
afoga minhas fúrias,
me entorpece de alegria,
nada além, me contagia

Abro os olhos e o que vejo
Um sonho, um desejo,
não mais a vejo.
Vejo o instante que passou
o segundo mais cedo,
lembrança que ficou.
Fico parado, agora acordado,
um tanto atordoado.
E num novo intento,
tento apenas dormir.
Quem sabe outra vez,
eu possa sonhar.
E desta vez,
não mais acordar


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O Sonho de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Madrugadas

Por: Thiago Cardoso


Madrugadas me alumiam
me encantam e a mim cantam
N'outro canto a voz da flor,
dá à noite nova cor
Caminham de mãos dadas,
almas gêmeas separadas
Nos encontros virtuais,
sentimentos reais
aproximam fronteiras
quebram todas as barreiras
Juntos cantam, prosam, rimam
letras, sons e semi-tons
Tomam cores variadas,
minhas doces madrugadas



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Madrugadas de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Menino-homem

Por Thiago Cardoso
*Este texto é resposta ao texto Menina-mulher escrito por minha amiga Bruna Marlière

Um menino...

Tem sonhos de Super-herói
destemido, valente, em seu poder inocente,
corre e carrega no vigor da sua infância
os anseios da criança que colore sua vida
transbordada de esperança
Quer um abraço do mundo e um sorriso do céu
seus lindos dias a desenrolar em carretel
Pelas ruas corre e canta,
se encanta
Quer o doce dos seus sonhos
sonha o Sol que sobre Si
Lá está e o Fá(z) maior

Um Homem
Tem seus passos bem guiados
Em astúcia faz seus planos
Quer um mundo de beleza
Sóis e sons que o revigoram
Busca a ode ao som da flauta
onde o céu se torna seu.
Amadurece na certeza
de que o certo ainda é incerto
Troca cores com o menino
que carrega lindas flores
na procura da menina, a menina-bailarina
que dança e ilumina
qual mulher que de mansinnho
se achega e faz carinho
De mãos dadas, andam juntos,
homem e menino
construindo sua estrada
construindo seu caminho



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Menino-homem de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

O Pote

Por: Thiago Cardoso
 

Quando abri o pote, percebi que estava vazio.

Coloquei-o na mesa e olhei atentamente; pensei por um instante em como poderia estar vazio, por que estaria?
Festas, dinheiro, amigos...  amigos?
Rapidamente percebi. Não era nada disso e era isso que esvaziou ou impediu que se enchesse aquele recipiente, aquele potinho rústico em minhas mãos, muito singelo, com uma escrita, uma palavra,  um anseio... FELICIDADE.

Como havia de ser preenchido se tudo era artificial? A felicidade não pode ser fabricada com essências, sabores, aromas e cores artificiais. É artesanal, um produto extraído de forma natural; é conquistado, não é comprado. É profundo, não superficial, é ser e não simplesmente estar. É mutável, tem suas variações de intensidade, por isso necessita de cuidados especiais, pois é perecível, pode ser finito, se não for devidamente cuidado.

Não cultivei felicidade, comprei diversão em liquidação, por minutos finitos e nada mais. Fidelizei-me a um plano de créditos, um sistema pré-pago de diversão, limitada a minutos e momentos vazios, vazios da verdadeira felicidade, de verdadeiras pessoas, do verdadeiro eu.

Na outra ponta estava um recipiente que nunca vira antes. Pelo jeito estava ali há um bom tempo, mas não o percebera antes – e olha que era grande. Em letras tão miúdas que quase necessitei de uma lupa para poder ler, estava a escrita FUTILIDADE. Entrei em choque; o pote da felicidade escorregou da minha mão  e caiu no chão, se desfazendo em mil pedaços. De maneira tão sutil quanto a escrita naquele enorme pote, ententdi que eu era maestrado pela senhora futilidade, sem me dar conta disso. Num ato de fúria agarrei aquele pote e atirei-o contra a parede, mas não se quebrou. Ao contrário da felicidade, a futilidade não se quebra, não se despedaça. Teria de ser drenada, evaporada. Sim, o calor da verdadeira felicidade e do viver de verdade, evapora o que é fútil, encarrega-se de carregar este mal para outros horizontes. Mas para isso eu deveria fazer uma mudança, purificar-me e buscar a essência, negar a mim mesmo, livrar-me do único veneno que existia dentro de mim, o veneno chamado eu. Era isso o que deveria fazer e estava decidido a faze-lo, quando de repente surge uma bela moça trajada de branco ao meu lado, um ser lindo, perfeito, estonteante, um anjo. Com muita doçura censurava minha nova decisão e meus próximos atos, massageava meu ego de maneira única e quando me teve totalmente em seus braços, com lágrima nos olhos - que estavam fixos nos meus a apenas 7 centímetros de distância - anunciou que estava prestes a perecer. Só não pereceria se eu voltasse atrás. Apareceu a mim quando percebeu o que eu estava prestes a fazer. No momento em que arquitetei negar a mim mesmo e opor-se ao meu eu, declarei o breve fim da vaidade, este formoso ser que só tem formosura aos nossos próprios olhos, pois, nos entorpece e manipula, pintando cores que não existem. A vaidade era tão linda, falava coisas tão bonitas sobre mim, elevava meu ego, como poderia deixar este anjo morrer?

É uma farsa! - Disse uma voz vinda de trás. Me virei e um ser nada delicado, o oposto da vaidade, me encarava e me reprovava, dizia-me para não dar cabo àquele ser belo e majestoso que agora não me tinha mais em seus braços, mas estava sentada, olhando para o chão, como alguém que se envergonha e não tem coragem de erguer a cabeça diante da razão; a razão que expõe seus atos inconseqüentes, atos que tem um único objetivo, beneficiar a si mesmo.

A razão passou por mim com sua postura imperial, agarrou a vaidade por um dos braços e a fez olhar firmemente em seus olhos. Toda beleza da vaidade começou a perecer diante demim e ela se tornou um ser decadente. Segundos depois, com os olhos ela me contou as atrocidades que, em companhia do egoísmo – seu fiel companheiro – havia cometido, os planos em que manipulou a tão volúvel e indecisa emoção para me atrair e trair a mim mesmo. Juntos açoitavam a felicidade, diziam que ela era inútil e que em breve deixaria de existir. Eu não queria acreditar naquilo que via, estava perturbado, indeciso, em choque, arrasado. Então, a razão botou uma das mãos no meu ombro, convidou-me a olhar para a vaidade, além do que os olhos podem ver, olhar o que ela realmente era e não o que parecia ser; ponderar sobre os crimes que este “anjo” comete contra a sua e a felicidade alheia. E de maneira concludente, disse-me: Ela não merece viver! Vá, salve sua felicidade! No segundo seguinte a vaidade começou a desaparecer, o recipiente da futilidade, reduziu seu tamanho e o pote da felicidade que ficou em pedaços ainda a pouco, estava inteiro novamente, precisava agora buscar preenche-lo daquilo que é verdadeiro. A razão me sorriu e desapareceu. O egoísmo soltou um grito pela derrota e a felicidade começou a levantar-se, a existir.

Negar a vaidade não foi o único, mas foi um importante e primeiro passo, para preencher meu pote da felicidade, que hoje carrego embaixo dos braços, enchendo-o da essência da vida compartilhada em verdade com aqueles que amo.




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O pote de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Teu sorriso

Por: Thiago Cardoso
*Dedicado à Gabi, a menina do balaio


O céu se abre sobre o sorriso
e o vento acorda a cor da alegria.
Alegra meu dia com teu sorriso
Sorri um segundo
e transforma meu mundo;
do avesso ao verso,eu te peço.
Peço um sorriso num instante
e deixo-o na estante,
onde o brilho dos olhos eu possa encontrar
e nele me encantar.
Abro a janela,
o vento a soprar.
Ondas do mar,
teu nome a cantar

A nuvem passageira esculpe tua face
e o vento a soprar, desfaz a figura,
mas traz alegria
e me contagia

Colore a manhã de claras cores,
sopra em meu ouvido,
seu doce sorriso

As flores dançam suas cores,
o vento sopra seus perfumes.
Ao norte, vaga-lumes
brilham e fascinam
colorem e me alucinam
Trazem-me à mente,
o sorriso... o TEU sorriso.


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Teu Sorriso de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

O pesar do apesar

Por: Thiago Cardoso


O pesar, a pesar, apesar

Não é o pesar de não te ver. É o pesar do apesar.
Apesar de te ver, não ve-la realmente.
Quando estou distraído, andando pelas ruas, vejo teu rosto por acaso.
O acaso me traz muitas diferentes faces, mas todas são tuas.
Numa fração de segundo teu rosto a mim sorri;
no segundo seguinte, teu rosto já não existe.
Tua imagem projetada em meu inconsciente,
se reflete em minha frente, sobre silhuetas desconhecidas.
Hologramas perfeitamente reproduzidos e refletidos de dentro da minha mente, surgem e desaparecem de repente, de modo voraz,
levando a minha paz e trazendo o pesar, o pesar do apesar.
Quem me dera ao menos uma vez - disse-me o poeta.
Acreditar que o que EU VEJO é o que está por vir - completei.
Reviver por um instante a história que não se deu;
rabiscar e reescrever o esboço que se perdeu.
Não ter a dúvida que me faz duvidar.






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O pesar do apesar de Thiago Cardoso é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.

Pseudo?!?! Chega disso

 Por: Thiago Cardoso


Pseudo?


Pseudo isso, pseudo aquilo, pseudo aquele... pseudo o quê?
Pseudo do quê? Pseudo pra quê?

Embalado na pseudoneidade e no uso excessivo da palavra, no vazio que ela encoberta aos seus parasitas vorazes de pronúncia excessiva, deixo aqui o meu protesto.

O pseudo intelectual expõe suas pseudo idéias e pseudo razões, classificando tudo como... pseudo. Pseudo isso, pseudo aquilo, pseudo de quilo. Impressiona seus pseudo-amigos, com suas “absolutas verdades” contra a pseudo inteligência alheia, é o que ele pensa.
Órfão de verdadeira personalidade, no meio do vazio, afim de impressionar, aparecer, chamar a atenção para si, emocionou-se e vibrou quando seu vazio foi preenchido pela palavra PSEUDO. Adotou-a como bordão, como portão que dá acesso ao seu intelecto – ao meu ver – pseudo intelecto.
A Infeliz e cega criatura não vê que o pseudo é o próprio. Desprovido da essência, peca pela ausência; ausência de humildade, ausência do ser; ser mais humano, ser mais real, ser menos artificial, ser menos... como é que ele diz?... pseudo.


Abaixo o uso exagerado do pseudo e de qualquer outra palavra tida como bonita, somente para impressionar. Abaixo a fala pomposa que esconde a verdadeira criatura grotesca que a pronuncia.

Meu apoio vai para as palavras de Fernando Anitelli “Não interessa se você é letrado ou não... o que interessa é se você vive aquilo que fala”


Pronto, falei


Noite rara

No dia 05 de Outubro de 2008 tive o prazer de assistir a um show d'O Teatro mágico no memorial da américa latina. Melhor ainda porque foi ao lado de pessoas especiais e essenciais na minha vida. A soma destes prazeres e especilidades me fez refletir sobre aquela noite e denominá-la noite "rara". Sim: Trupe rara + platéia rara + música rara + amigos raros ao meu lado = Noite rara. Noite rara me inspirou e dessa inspiração saiu:

Raia a rara noite, noite rara raia aos raros,
raros momentos, raros seres, raros sorrisos,
raras horas que pareceram poucos minutos,
horas que nunca foram em outrora,
horas que se foram, horas que não voltam,
horas que já não são, mas sempre serão e ainda são,
horas raras aos raros, Oras, que horas!!!
Horas metamorfosedas, cantadas, interpretadas, apreciadas.
Como quem não quer nada, pequena a ponto de ser um ponto,
assim vieram e da mesma forma se vão e se foram, mas ficaram
e ponto! Pronto, por tanto, por um pranto, no entanto, mas tanto e quanto!
Quanto mais de mim, quanto mais de ti, quanto mais de nós!!!
A voz, a paz, a poesia, a arte, o prazer, a emoção, a comoção...
...o fim.
O fim da noite, o fim da arte, ou melhor, da parcela da arte, da arte mostrada a nós
nunca nos deixando sós, mas nos aproximando de nós, reluzindo um pouco
do que há em cada um de nós, a magia de ser um pouco mais de nós e para nós.
A essencia da existência, a "amaduressencia"; o depertar de nós.
Noite rara que se foi, noite rara que ficou, noite rara que será.
Aos raros, a noite rara.


(thi) 


Por: Thiago Cardoso

Ressurge o personagem

Por: Thiago Cardoso


Havia um personagem imaturo que começou a dar os primeiros passos e antes de poder caminhar sozinho, foi abandonado por algum vento da vida, que nos empurra para outros horizontes, às vezes, sem que nos demos conta. Certo dia este personagem encontrou uma trupe que lhe estendeu as mãos e disse: venha! Ao lado da trupe, uma magnífica escritora, verdadeira artista, também estendeu-lhe a mão e repetiu a palavra: venha! Assim, sob a influência destes dois ícones tão poderosos, o personagem começou novamente a engatinhar e a dar os primeiros passos, tentando seguir seus mentores, na maneira como eles pisam. A partir de então, a vida ficou mais bela. O viver, o respirar, o sentir e sorrir passaram a fazer mais sentido.